Não pertencimento.
A cidade, depois das dez da noite,
os bares da cidade da Rua 18 de Abril,
têm tons que desconheço.
De carro, cortei a cidade
por conta de uma eventualidade.
Eu não conhecia essa rua da cidade
depois das dezenove horas.
Quando passei por aquele lugar,
tive, de pronto, a sensação de não pertencer,
senti que meus pensamentos não se encaixaram
com a energia, a vibração e a aura do lugar.
Meus pensamentos não se encaixaram com o lugar
porque eu quero equilíbrio, fé, saúde e paz.
Mas, essa sensação de não pertencer,
vai muito além da rua 18 de abril.
Qualquer pensamento que não seja
a consciência e o momento presente,
não se encaixa comigo.
Não sou os pensamentos onde o corpo
e a presença plena não está.
Qualquer outro lugar na minha mente,
que não seja o aqui e agora, não sou eu.
Eu estou muito além da rua 18 de abril,
eu estou no fundo do aqui e do agora
e observo tudo.
O aqui e o agora
é o que tenho mais próximo do que chamo de ser eu,
mas, não sou eu.
Ser eu está muito longe,
é sublime demais para ser cotidiano e trivial
do modo que me manifesto no mundo.
Quando analiso os pensamentos
e os lugares em que ele está quando estou disperso,
percebo que não há pertencimento,
tudo que há são pensamentos e sentimentos
que me levam a um lugar em que meu corpo
e a minha consciência plena não estão,
logo, esse que está em pensamentos não sou eu.
J.Nunes