Acenos
Eu vi estrelas em um céu sem estrelas,
tive muitos sonhos em noites sem dormir.
Tudo parecia sorrir para mim,
e eu sorri de volta,
mas nada estava ao meu alcance,
não havia ninguém acenando para mim,
mas eu avancei o sinal vermelho que não vi.
Não foi culpa da bebida,
não foi culpa sua,
foi culpa do sentimento de rejeição e da solidão
que me faz ver acesso, acenos, sinais
e caminhos em qualquer momento
de pequenas alegrias.
Eu confundi os sentimentos,
eu me alegrei com o seu sorriso
e com um breve momento de descontração.
Eu me sinto um cachorro
que se oferece abanando o rabo e seguindo os seus calcanhares.
Eu tenho medo de parar de sonhar,
de não ver mais oportunidades em qualquer lugar
e me tornar tão amargo, tão desiludido
a ponto de adoecer e morrer dessa amargura.
Aprendi com os acenos e as insinuações
que só eu ouço e vejo aqui do meu coração incoveniente.
Aprendi a avançar alegremente
e a passar como passa um viajante sem destino.
J.Nunes