Tudo já foi falado.
Tudo já foi falado e pensado.
Tudo já foi vivido e experimentado.
Tudo já foi revelado.
Tudo já foi sofrido e filosofado…
O que me resta é dizer que tudo já foi falado.
Tudo já está escrito na história humana
e nos destinos dos indivíduos.
Não há nada para escrever
ou para viver e experimentar
para saber no que vai dar.
Tudo já foi vivido,
então sabemos onde as coisas vão parar.
O que me assusta é que as pessoas
continuam acreditando em homens velhos
com velhas soluções erradas
para velhos problemas não resolvidos.
Não preciso viver para ter o que falar,
basta observar e configurar os acontecimentos
igual a um quebra-cabeça, ou igual a um psicológico
que já sabe de onde veio um trauma
e no que pode resultar.
Existe uma lei,
um fio condutor da vida;
certamente esse é o melhor
modo de viver, de configurar o caminho
e montar o quebra-cabeça de nosso destino.
Viver sem a angústia da procura de sentido
só é possível quando chegamos à compreensão
de que só é possível viver e falar algo novo
se vivermos acima da lei da dualidade
e na compreensão além dos conceitos.
Este lugar sem conceituações
não é o vazio da consciência;
esse lugar é onde a mente não pode estar,
porém o espírito grato com tudo que acontece,
portanto vive na consciência plena do instante,
pode alcançar.
Só escrevo o que está além da conceituação.
J.Nunes