O mais belo par de asas
Ainda escuto o barulho
do relógio de ponteiro
marcando segundos de agonia.
Por um descuido do meu algoz,
olhei por uma fresta,
vi a claridade de um céu azul lá fora.
Escapei dos seus laços;
Por um breve instante
Respirei a liberdade
enquanto corria para escapar.
Pela primeira vez,
me olhei melhor
e notei que eu tinha asas;
saltei para voar por cima dos vales.
Eu saltaria até para a morte
se esse fosse o preço da liberdade.
O relógio de ponteiro
ainda faz aquele barulho na minha cabeça.
Fiquei rebelde depois que provei a liberdade;
não sou mais subjugado, dócil ou manso;
tenho aquele orgulho de quem
descobriu que possui o mais belo par de asas
e nunca mais quer voltar para o seu algoz.
J.Nunes