Uma conversa de bar
O homem se aproximou do balcão;
era um sujeito muito alinhado para aquele lugar.
O balconista, muito observador, perguntou:
— São as mulheres que o trás aqui?
O homem retrucou: _ Por que seria uma mulher?
O balconista respondeu: — São sempre elas!
O homem continuou: _ Poderia ser, mas não são as mulheres;
são os filhos delas! O barman e o homem riram com cumplicidade.
O homem continuou: _ Damos aos nossos filhos tudo que não tínhamos,
e eles sequer nos respeitam! Nos olham como se fôssemos seus pares.
O balconista concluiu com um longo comentário: — Aí está o problema!
Deram tudo que não tiveram, deram o conforto que os deixou fracos e acomodados.
Eles têm tudo dentro da casa dos pais, não precisam se preocupar.
Agora os pais querem que esses filhos deixem o ninho seguro
e confortável para se casarem, pagarem contas, fazerem filhos,
pagarem impostos, ficarem sem dinheiro…
O homem parou de falar e fez um gesto girando as duas mãos
como se quisesse dizer muito mais.
É muita crueldade! O balconista concluiu com ironia
e depois foi atender um velho conhecido.
O homem pensativo e em silêncio, bebeu o seu whisky.
Eu escutei aquela conversa e transcrevi.
O homem terminou a sua bebida e saiu para a realidade.
J. Nunes