Pequenas alegrias
Prefiro uma filosofia
que diz: “Aproveite o dia”
do que essa filosofia
que lança o indivíduo
na agonia do pessimismo
e não dá uma saída para
a ausência de sentido.
Em um mundo virtualmente globalizado,
o melhor são as pequenas e singelas
alegrias daquela infância
em um tempo em que as crianças
eram formadas na família
e os pais se ocupavam com o seu entorno.
As pequenas alegrias
surgiam em um almoço que juntava as famílias;
mais pratos na mesa: arroz com uva-passa e maçã,
comidas sortidas e doces caseiros.
As pequenas alegrias de nossa infância
surgiam nas tardes em que a mãe
fazia bolinho de chuva
para a gente tomar acompanhado
com o chá quentinho.
As nossas pequenas alegrias
eram feitas de mais pessoas em casa,
ou de um dia em que o pai
trazia alguma coisa da rua.
Poucas décadas antes desse tempo
de globalismo virtual e influência digital;
o mesmo rio corria atrás das casas de nossa viela
e os meninos daquele tempo mergulhavam feito lontras,
depois se sentavam nas pedras à margem do rio.
Eram nossas pequenas alegrias
sem telas para nos iludir
com realidades que não são as nossas
e que não estão lá onde são mostradas.
J.Nunes